Visão do Ministério
- Apocalipse Cap 5 ***O plano secreto de Deus***
Vi na mão direita do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos”.
Apocalipse 5:1.
Este livro é o propósito eterno de Deus que engloba toda a Criação. É o mesmo livro sobre o qual profetiza Isaías: “Buscai no livro do Senhor, e lede: Nenhuma destas coisas falhará, nem uma nem outra faltará. Pois a sua própria boca o ordenou, e o seu Espírito mesmo as ajuntará” (Is.34:16). O verbo “ajuntar” pode ser sinônimo de “convergir”, “reunir”, “agrupar”. E qual é o propósito eterno de Deus, afinal?
Deixemos que Paulo nos responda:
“E desvendou-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer Convergir em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus (coisas espirituais), como as que estão na terra (coisas materiais).”
Efésios 1:10.
O livro está escrito por dentro e por fora porque seu conteúdo diz respeito às coisas invisíveis e visíveis, isto é, às realidades espiritual e material, ou no dizer de Paulo, as coisas que estão nos céus, e as que estão na terra. O propósito de Deus não se restringe às coisas espirituais, como crêem alguns. Deus deseja restaurar todas as coisas ao seu estado original. E para isso, Ele determinou que através da Cruz, todas as coisas, tanto as celestiais quanto as terrenas, fossem reunidas em Cristo, a fim de que fossem n'Ele reconciliadas (Col.1:20). Este eterno propósito pode ser encontrado esboçado na oração do Pai Nosso, quando Jesus nos ensina a pedir ao Pai que seja feita a Sua vontade “assim na terra como no céu” (Mt.6:10).
Este livro pode ser identificado com as Escrituras Sagradas. Nelas encontramos a revelação dos propósitos divinos. E por quê o livro se apresenta selado, se a Bíblia é, na verdade, um livro aberto e acessível a todos? O fato é que, embora as Escrituras estivessem disponíveis, elas estavam “seladas” no sentido de serem incompreendidas. A parte de fora do livro visto por João podia ser lida por qualquer um, haja vista que o selo protegia somente a parte interior. Qualquer um tinha acesso aos fatos narrados em suas páginas, mas não podia compreender claramente o propósito de Deus por trás desses fatos. A Bíblia não é apenas um livro histórico, mas também meta-histórico; isto é, ela não apenas contém a história, mas revela o propósito eterno de Deus contidos nas entrelinhas de suas narrativas. Repare no que Isaías diz acerca disso: “Pelo que toda visão vos é como as palavras de um livro selado que se dá ao que sabe ler, dizendo: Por favor, lê isto; ele dirá: Não posso; está selado” (Is.29:11). Somente com o rompimento de tais selos, o mistério da vontade de Deus seria revelado.
Portanto, o livro é selado por tratar-se de um mistério que jamais poderia ser desvendado pelo homem caído, ainda que estivesse por todo o tempo diante dos seus olhos.
João continua o seu relato:
“Vi também um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro, e de lhe romper os selos? E ninguém no céu, e na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele. E eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar para ele.”
Vs.2-4.
O próprio João ficou incomodado com o fato de não haver alguém digno de desvendar aquele mistério. Nem entre os anjos, tampouco entre os homens havia alguém que pudesse romper os selos, explicando e deflagrando o seu propósito. “Todavia” prossegue João, “um dos anciãos me disse: Não chores ! Olha, o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos. Então vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes, e entre os anciãos, em pé, um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados por toda a terra” (vs.5-6).
Aquele Cordeiro é ninguém menos que o próprio Cristo. Ele venceu para poder romper os selos daquele livro e desvendar-nos o mistério da vontade de Deus. Lucas conta que logo após Sua ressurreição, Jesus deparou-Se com dois dos Seus discípulos, que iam pelo caminho de Emaús. Ambos estavam tristes e decepcionados com as últimas notícias. Para eles, a morte de Jesus tinha sido o fim trágico de um sonho. Mesmo tenho Jesus Se aproximado deles, não O puderam reconhecer. “Então Jesus lhes disse: Ó néscios, e tardios de coração para crer em tudo o que os profetas disseram! Não era necessário que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória? E começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras” (Lc.24:25-27). Era necessário que Jesus, o Leão da Tribo de Judá, enfrentasse a morte, e ressuscitasse ao terceiro dia, para que os Seus discípulos entendessem o que até então estava selado diante dos seus olhos. Após o episódio em Emaús, Jesus reuniu-Se com os demais discípulos, e lhes disse: “São estas as palavras que vos falei estando ainda convosco, que era necessário que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos Profetas e nos Salmos. Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras, e disse: Eis que está escrito: O Cristo padecerá, e ao terceiro dia ressurgirá dentre os mortos, e em seu nome se pregará o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém” (Lc.24:44-47).
No relato apocalíptico, Ele é apresentado como um Cordeiro “como havendo sido morto”, devido ao preço que Ele precisou pagar a fim de poder revelar-nos o mistério de Deus, e desencadear o seu cumprimento.
Ele também é apresentado como tendo sete chifres e sete olhos. Dentro do simbolismo bíblico, chifre é autoridade, portanto, se o Cordeiro possui sete chifres ( e sete representa plenitude, totalidade ), Ele tem toda autoridade. Já os sete olhos simbolizam a Onisciência e a Onipresença; Ele vê em todas as direções, e por isso, sabe todas as coisas. Esta passagem comprova a divindade de Cristo, uma vez que, somente Deus é Onipotente, Onipresente e Onisciente.
João também diz que os sete chifres e os sete olhos são os sete espíritos de Deus, isto é, a plenitude do Espírito. E Paulo testifica disto quando afirma que “nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Col.2:9).
Observe que Ele só poderia ser o Cordeiro de Deus se fosse homem, a fim de morrer pelos nossos pecados. Portanto, em algumas linhas, João nos coloca de frente com um ser sui generis: Jesus Cristo, o Deus-Homem. Somente Ele poderia romper os selos daquele livro, desvendando os seus mistérios, e desencadeando o processo de convergência e restauração proposto por Deus.
E João viu quando Aquele Ser magnífico “veio e tomou o livro da mão direita do que estava assentado no trono. Logo que tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos PROSTRARAM-SE DIANTE DO CORDEIRO, tendo todos eles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos” (vs.7-8).
Aqueles quatro seres viventes, além de representarem os quatro ângulos da revelação contida no Evangelho, também representam a abrangência da obra restauradora que Deus propusera em Cristo. O número quatro trás em si este significado. Quando se diz “os quatro cantos da terra”, está se dizendo “todos os termos da terra”. Portanto, os quatro seres viventes apontam para a restauração de toda a criação (visível e invisível) à sua ordem original. Já os vinte e quatro anciãos, como já vimos anteriormente, representam a totalidade dos santos das duas alianças. Doze é o número da redenção, ao mesmo tempo em que representa os fundamentos de um povo. A história da redenção é dividida em duas fases, a da Antiga e a da Nova Aliança; uma antes, e outra depois da Cruz. Os vinte e quatro anciãos representam a totalidade da obra redentora de Deus. São os redimidos de todas as eras que formam a base fundamental para a restauração de toda a criação. A Igreja de Deus, que abrange os santos de ambas as alianças, é o instrumento que Ele sua para promover a restauração do mundo. É por isso que Paulo afirma que a criação aguarda com expectativa a manifestação dos filhos de Deus, a fim de que seja libertada da tirania da corrupção. Quando esses anciãos avistaram o Cordeiro, eles se prostraram e O adoraram.
“E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos, porque foste morte, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo e nação. Para o nosso Deus os fizeste reino e sacerdotes, e eles REINARÃO SOBRE A TERRA.”
Vs.9-10.
Os vinte e quatro anciãos, porquanto representem a totalidade da Igreja, formam o grupo dos primeiros a convergirem em Cristo. Por isso mesmo, nós, os santos, somos chamados de “as primícias da Criação”, e recebemos as “primícias do Espírito”.
Os anciãos não somente O adoraram, como também expuseram através daquele cântico a razão que os levava a adorá-lO. E a razão é que o Cordeiro comprou para Deus o que se havia perdido. O Cordeiro fez reaver a propriedade de Deus através de Sua morte.
Tudo o que foi feito por meio dEle, agora tornava-se para Ele novamente. Em outra passagem lemos que os mesmos vinte e quatro anciãos, “que estão assentados em seus tronos diante de Deus, prostraram-se sobre seus rostos, e adoraram a Deus, dizendo: Graças te damos, Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e que eras, porque tomaste o teu grande poder, e reinaste” (Ap.11:16-17).
E de quê forma Deus retomou o que era d'Ele? Comprando homens de toda tribo, língua, povo e nação, tornando-os, por meio de Cristo, reis e sacerdotes para reinarem sobre a terra. Isso já havia sido profetizado por Daniel no Antigo Testamento. Ele relata: “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e vi que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem. Ele se dirigiu ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado o domínio, a honra e o reino; todos os povos, nações e línguas o adoraram. O seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino o único que não será destruído... O reino e o domínio, e a majestade dos reinos Debaixo De Todo Céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo. O seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão” (Dn.7:13-14,27).
Aleluia! Este é o propósito de Deus para a Sua Igreja: reinar sobre a Terra.
Repare na ordem dos fatos: primeiro o Cordeiro comparece diante do Pai, e recebe dEle o Poder; depois aqueles que possuem autoridade prostram-se diante dEle e reconhecem a Sua soberania. Veja agora o que se sucede depois disto:
"Então olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos seres viventes, e dos anciãos; e o número deles era milhões de milhões e milhares de milhares, proclamando com grande voz: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor. Então ouvi a TODA CRIATURA QUE ESTÁ NO CÉU, E NA TERRA, E DEBAIXO DA TERRA, E NO MAR, e a todas as coisas que neles há, dizerem: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o poder para todo sempre. E os quatro seres viventes diziam: Amém. E os anciãos prostraram-se e adoraram.”
Vs.11-14.
Gradativamente, todas as coisas vão sujeitando-se a Cristo. Não só as invisíveis, mas também as visíveis. Uma das coisas mais impressionantes neste texto é a forma como o céu e a terra são apresentados unindo-se para formar um enorme coral em adoração ao Cordeiro.
Aos poucos o que parece um caos vai se tornando em harmonia; o barulho se transforma numa orquestra! Cada evento vai encontrando o seu lugar na majestosa sinfonia composta pelo Cordeiro.
Nada fica de fora de escopo desta restauração! O reino animal, o reino vegetal, e o reino mineral, se unem para saudar o Rei dos Reis.
No capítulo anterior, João diz que viu um trono, e Alguém assentado sobre ele, e “ao redor do trono havia um arco-íris” (4:3). Este arco-íris nos remete ao episódio em que Deus fez uma aliança com Noé, e estabeleceu o arco-íris como símbolo dessa aliança. O que poucos observam é que aquela aliança de preservação não se limita ao ser humano, mas abrange toda a criação. Assim afirmou o Senhor: “Agora estabeleço a minha aliança convosco e com a vossa descendência depois de vós, e com Todos Os Seres Viventes que convosco estão; assim as aves, os animais domésticos e os animais selvagens que saíram da arca, como todos os animais da terra (...) Este é o sinal da aliança que ponho entre mim e vós e entre todos os seres viventes que estão convosco, Por Gerações Perpétuas; O meu arco tenho posto nas nuvens, e ele será por sinal de haver uma aliança entre mim e a terra (...) O arco estará nas nuvens, e eu o verei, para me lembrar da Aliança Eterna entre Deus e todos os seres viventes de todas as espécies, que estão sobre a terra” (Gn.9:9-10,12-13,16).
Esta aliança jamais vai caducar, pois é eterna. Não tem prazo de validade a ser vencido. Por ser eterna, ela não perdeu a validade com o lançamento da Nova Aliança, antes foi confirmada. Oséias, profetizando acerca da Nova Aliança, disse: “Naquele dia farei por eles aliança com os animais do campo, com as aves do céu e com os répteis da terra” (2:18). A Nova Aliança diz respeito à salvação do homem, e, por conseguinte, à restauração da ordem criada.
O coral só estará completo quando as vozes angelicais, e as vozes humanas unirem-se às vozes de toda criatura, incluindo os pássaros, os répteis, os mamíferos e os peixes. E assim, cumprir-se-á o versículo que fecha o último salmo: “Tudo que tem fôlego louve ao Senhor. Louvai ao Senhor” (Sl.150:6).
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Apocalipse - Capitulo 4- ***Os quatro seres viventes ![[4+seres.jpg]](https://4.bp.blogspot.com/_kd8guQqkRLw/SBodmzAQLZI/AAAAAAAAAkE/_Bi5-r_cREs/s1600/4%2Bseres.jpg)
Entra em cena algumas das mais enigmáticas figuras do Apocalipse. Segundo João, havia “ao redor do trono, um ao meio de cada lado, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás. O primeiro ser era semelhante a um Leão, o segundo semelhante a um Touro, o terceiro tinha o rosto como de Homem, e o quarto era semelhante a uma Águia Voando” (Ap.4:6b-7).
Estas quatro figuras simbolizam a Revelação Plena de Deus no Evangelho de Jesus Cristo. O Evangelho é a base pela qual os homens serão julgados. Paulo diz que Deus “tomará vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao Evangelho de nosso Senhor Jesus” (2 Ts.1:8b). E mais: “Isto sucederá no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por meio de Jesus Cristo, segundo o meu Evangelho” (Rm.2:16). Estes quatro seres viventes são os Guardiães do Mistério de Deus, apresentados em Isaías 6 como Serafins, em Ezequiel 1:10, e 10:20 como Querubins. Não importa o nome que recebam, e sim a função que exercem. Na revelação de Isaías, os seres viventes cobriam seus rostos com suas asas, porque o Mistério ainda não deveria ser revelado. Mas na visão de João, os quatro seres viventes estavam cheios de olhos por diante e por detrás. Isso se dá porque “o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos” (Col.1:26). Paulo chama este mistério de “Mistério do Evangelho” (Ef.6:19b). Em outra passagem, Paulo sintetiza este mistério, e arremata:
"É, sem dúvida alguma grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou em carne, foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, e recebido acima na glória.”
1 Timóteo 3:16.
Neste único verso, encontramos os quatro seres viventes, simbolizando os quatro ângulos do mistério do Evangelho. Primeiro, Paulo diz que Cristo manifestou-Se em carne. Aqui vemos a figura do “Homem”. A encarnação é o começo da revelação do Evangelho. Em segundo lugar, Paulo afirma que Cristo foi justificado em espírito, o que aponta para Sua morte vicária, simbolizada na figura do “Touro”. Pedro diz que Ele foi “morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito” (1 Pe.3:19). Em seguida, Paulo diz que ao ser justificado no espírito (ressurreição), Ele foi visto dos anjos, pregado aos gentios e crido no mundo; uma clara alusão à Sua condição de “Leão”. Aqui o Evangelho é apresentado como o Evangelho do Reino, que apresenta às nações o Cristo-Rei, que veio estabelecer Seu império no mundo. Finalmente, o apóstolo diz que Cristo foi recebido acima na glória, significando a ascensão, exaltação e entronização do Filho de Deus. Nesta declaração, encontramos a figura da “Águia”. Depois de um vôo rasante, a águia volta ao seu ninho de origem nas alturas. Depois de passar por cada etapa da chamada Kenósis (grego: esvaziamento) descrita por Paulo em Filipenses 2:5-8, Jesus retorna à Sua glória original (Jo.17:5), sendo exaltado soberanamente, e recebendo um nome que é sobre todo o nome (Fp.2:9-11). Convém salientar que o quarto ser visto por João tinha a aparência de uma águia voando, o que dá a idéia de dinamismo, movimento. O Reino de Deus não é algo estático, mas que deve se manifestar de maneira crescente, até que alcance a plenitude da Terra. Jesus explicou isso em parábolas. Em uma delas, Ele diz que “o reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Embora seja a mais pequena de todas as sementes, contudo, quando cresce, é maior do que todas as hortaliças, e se transforma em árvore, de sorte que vêm as aves do céu e se aninham nos seus ramos. Outra parábola lhes disse: O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que tudo seja levedado” (Mt.13:31-33). O que estas parábolas têm em comum com a águia voando? Ambas falam do Reino como uma realidade em franca expansão. O destino da águia são as alturas da terra. E este é também o destino dos cidadãos do Reino de Deus. O que Deus fez com Israel é um sinal daquilo que fará com Sua Igreja:
"Como a águia desperta a sua ninhada, adeja sobre os seus filhotes e, estendendo as suas asas, toma-os, e os leva sobre as asas, assim só o Senhor o guiou, e não havia com ele deus estranho. Ele o fez cavalgar sobre as alturas da terra...”
Deuteronômio 32:11-13a.
Não há mais de um Evangelho. O que existem são os vários ângulos de um mesmo Evangelho. Expressões como “Evangelho da Graça”, “Evangelho do Reino”, “Evangelho Eterno”, “Evangelho da Salvação”, apontam para os vários aspectos do mesmo Evangelho, apresentado por Mateus, Marcos, Lucas, João.
Antigos manuscritos do Novo Testamento trazem gravuras que vinculam os seres viventes do Apocalipse aos quatro evangelhos. Geralmente trazem Marcos sentado sobre um leão; Lucas, sobre um touro; Mateus, sobre um homem; e João sobre uma águia. Há certa verdade por trás desta compreensão, haja visto que, cada um desses escritores sagrados enfatizou uma característica da missão de Cristo.
Marcos, por exemplo, sequer registra o nascimento de Jesus, demonstrando assim que, sua ênfase não recai sobre a encarnação, mas sobre o Reino de Cristo. A prova disso é que, as primeiras palavras que Marcos coloca nos lábios de Jesus são: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc.1:15). Portanto, parece correto traçar um paralelo entre o Evangelho Segundo Marcos com a figura do Leão de Apocalipse.
A preocupação de Mateus é a de apresentar Jesus como o “Filho do Homem” (ex.:Mt.24:30), e por isso, faz questão de detalhar a Sua genealogia, e Sua gestação, enfatizando assim a Sua humanidade. Nada mais justo do que relacionar o Evangelho Segundo Mateus com a figura do ser vivente cujo rosto era de um Homem.
Já Lucas registra várias profecias do sofrimento e da morte de Cristo, e dedica muito espaço a isso, mostrando que tudo o que Jesus passou visava o cumprimento de tais profecias. À luz disso, parece-nos correto identificar o Evangelho Segundo Lucas com a figura do Touro (Em tempo: o Touro era um dos animais sacrificados de acordo com as prescrições da Lei. Hb.9:13; 10:4).
Finalmente, chegamos a João, e percebemos a sua insistência em apresentar-nos Cristo como Aquele que existe desde a Eternidade (Jo.1:1), sendo, na verdade, igual ao Pai (Jo.10:30). João não parece preocupado com os detalhes que envolveram o nascimento de Jesus. Sua preocupação é a de ressaltar a divindade de Cristo. É também ele quem registra a oração em que Jesus pede ao Pai para que retornasse à Sua glória original (17:5). Diante disso, fica óbvio o motivo pelo qual os crentes primitivos associavam o Evangelho de João com o ser vivente cuja aparência era a de uma Águia voando.
· Adoração e Reconhecimento
João diz que “os quatro seres viventes tinham, cada um, seis asas, e ao redor, e por dentro, estavam cheios de olhos. Não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, e que é, e que há de vir. Quando os seres viventes davam glória, honra e ações de graça ao que estava assentado sobre o trono, ao que vive para todo o sempre, os vinte e quatro anciãos prostravam-se diante do que estava assentado sobre o trono, e adoravam ao que vive para todo o sempre, e lançavam as suas coroas diante do trono, dizendo: Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, pois tu criaste toda as coisas, e por tua vontade existem e foram criadas” (Ap.4:8-11).
Aprendemos com isso que, o objetivo do Evangelho é glorificar ao Deus Triúno, e não ao homem. É por isso que Paulo o chama de “o Evangelho da Glória de Deus” (2 Co.4:4). É a glória que o Evangelho confere a Cristo que faz com que os vinte e quatro anciãos, que representam o povo de Deus em sua totalidade, se prostrem e adorem a Deus. Ao se prostrarem diante d’Aquele que ocupa o Trono, os anciãos lançavam suas coroas aos Seus pés, reconhecendo que toda a autoridade que possuíam derivava-se d'Ele, e que por isso, Ele era o único digno de receber a glória, a honra e o poder. Tal dignidade se deve principalmente ao fato de Ele ter criado todas as coisas por Sua própria vontade. Aqui aprendemos que a adoração que os anciãos fazem é consciente, racional, e deve ser o protótipo do culto que prestamos a Deus (Rm.12:2) Eles sabiam a razão pela qual prestavam culto ao Cristo de Deus. Não o faziam por mero formalismo ou emocionalismo irracional. Sua atitude de reconhecimento e entrega encontra eco na instrução dada por Paulo aos crentes Romanos: “Portanto, rogo-vos, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm.12:2). Culto racional é todo aquele que encontra uma razão de ser. Pedro diz que devemos estar preparados para responder a todo aquele que nos pedir a razão da esperança que há em nós (1 Pe.3:15). O Apocalipse não se preocupa apenas em pintar um quadro onde os seres celestiais e terrenos adoram a Deus, mas também se preocupa em explicar a razão que os leva a agir assim. Em outras palavras: não basta freqüentar uma igreja, é preciso entender o “por quê” devemos fazê-lo. Não é suficiente que dizimemos, é necessário que saibamos a razão pela qual separamos a décima parte de nossa renda para depositarmos no gazofilácio da obra de Deus. Qualquer atitude de culto deve ser respaldada em razões objetivas, sob pena de ser mero ritualismo, fanatismo ou emocionalismo.
No capítulo quatro de Apocalipse encontramos a primeira razão que nos deve conduzir à adoração: Deus criou todas as coisas, e é a Sua vontade que as mantém existindo. Embora esta fosse uma razão suficiente para O adorarmos, encontraremos ainda outras razões no decorrer de nosso estudo.
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Apocalipse - Cap 4- *** Os 24 anciãos 
“Pois quem nos céus é comparável ao Senhor? Entre os seres celestiais, quem é semelhante ao Senhor? Deus é sobremodo tremendo na assembléia dos santos e temível sobre todos os que o rodeiam.”
Salmos 89:6-7.
A atenção de João se volta para a realidade em torno do Trono de Deus. “Ao redor do trono” diz o apóstolo vidente, “havia vinte e quatro tronos, e vi assentados sobre os tronos vinte e quatro anciãos, vestidos de branco, que tinham nas suas cabeças coroas de ouro” (Ap.4:4). Quem seriam eles, ou, o quê eles representariam? Para respondermos a estas intrigantes indagações, teremos que fazer uma breve incursão pelas páginas das Escrituras.
Em seu registro profético, Daniel conta ter visto quando “foram postos uns tronos, e um Ancião de Dias se assentou. A sua veste era branca como a neve, e o cabelo da sua cabeça como lã puríssima (...) Assentou-se o Tribunal, e abriram-se os Livros (...) foi dado o Juízo aos Santos do Altíssimo, e chegou o tempo em que o santos pos-suíram o reino” (Dn. 7:9a, 22b). Partindo do princípio de que a Bíblia deve interpretar a Bíblia, concluímos por este texto que os vinte e quatro anciãos são agentes do Juízo de Deus. Trata-se de um tribunal armado com o obje-tivo de manifestar o veredicto divino. Surge, então, a seguinte questão: quem com-poria este tribunal?
Ao ser indagado por Pedro acerca do destino daqueles discípulos que haviam deixado tudo para segui-lO, Jesus lhe respondeu: “Em verdade vos digo que vós os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentarei sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel” (Mt.19:28). Se levarmos em conta esta declaração feita por Cristo, chegaremos à identidade de pelo menos doze dos vinte e quatro anciãos. Trata-se dos doze apóstolos do Cordeiro, que, ao redor do trono de Deus, representam a totalidade do povo da Nova Aliança. E quanto aos outros doze? Por inferência, podemos afirmar que são os doze patriarcas das tribos de Israel. Em sua descrição da Cidade Celestial, João faz a conexão entre cada um desses dois grupos. Ali é dito que sobre as doze portas da Nova Jerusalém estão “os nomes das doze tribos dos filhos de Israel” (21:12), enquanto que “o muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles estavam os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro” (v.14). Feita a conexão, não fica dúvida de que os vinte e quatro anciãos sejam os cabeças do velho e do novo Israel, e representam a totalidade dos remidos do Senhor, sob ambas as alianças. Foi por ter a convicção de que aos santos seria confiado o juízo, que Paulo indagou aos seus leitores Coríntios: “Não sabeis vós que os Santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?” (1 Co.6:2-3).
O Juízo de Deus, como já vimos, deve começar pela Igreja. Não se trata de um juízo com objetivo condenatório, mas disciplinar (1 Co.11:32). Com a Sua própria Casa em ordem, Deus agora passa a julgar as nações do mundo, começando por Israel. Por fim, há o julgamento dos anjos, do qual a Igreja também deve participar ativamente. Mais adiante vamos tratar deste importante tema novamente. Basta, por enquanto, entendermos que os vinte e quatro anciãos representam os santos da Antiga e da Nova Aliança.
O Juízo emitido por Deus e executado por esses anciãos é prefigurado no verso 5, onde lemos que “do trono saíam relâmpagos, vozes e trovões”. Além disso, é dito que “diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete espíritos de Deus. Também havia diante do trono como que um mar de vidro, semelhante ao cristal” (vs.5b-6a). As sete lâmpadas apontam para o fato de que o Espírito de Deus perscruta todas as coisas. Ele é, no dizer de Paulo, “a luz que a tudo manifesta” (Ef.5:13b). O mar de vidro aponta para a transparência que as coisas possuem aos olhos do Supremo Juiz. “Não há criatura alguma encoberta diante dele” argumenta o autor sagrado, “todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas” (Hb.4:13).
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Apocalipse - Cap 4 - ***A visao do Trono de Deus ![[sala+do+trono.jpg]](https://1.bp.blogspot.com/_kd8guQqkRLw/SBoY_DAQLWI/AAAAAAAAAjs/xGu73PVBT0E/s1600/sala%2Bdo%2Btrono.jpg)
“Depois destas coisas, olhei, e vi que estava uma porta aberta no céu, e a primeira voz que ouvi, como de som de trombeta falando comigo, disse: Sobe para aqui, e te mostrarei as coisas que depois destas devem acontecer. Imediatamente fui arrebatado em espírito, e um Trono estava posto no céu, e Alguém assentado sobre ele.”Apocalipse 4:1-2.
Depois de presenciar e registrar a avaliação de Deus acerca das igrejas da Ásia, João é subitamente arrebatado em espírito ao céu. É lhe dito que a partir daquele momento, ele assistiria ao que deveria suceder ao mundo, após Deus ter começado o Seu juízo por Sua própria Casa, a Igreja. Uma vez que a Casa estava em ordem, chegara a hora de julgar as nações, começando por Israel, e sua capital, Jerusalém.
Antes, porém, João precisava compreender que por trás de todo juízo, há um propósito redentor, e que, o destino das nações estava bem seguro nas mãos d’Aquele que recebera do Pai toda a autoridade nos céus e na terra. Por isso, antes de assistir às manifestações dos juízos divinos, João precisava receber algumas revelações preliminares.
A primeira dessas revelações foi acerca do Governo de Deus sobre o Universo. Chegando às regiões celestes, João viu o que poucos homens puderam ver: o Trono de Deus. E ele faz questão de frisar que havia Alguém assentado ali. O Trono não estava vazio. “Alguém”, e não “algo”, estava no comando de toda a situação. Não se trata de uma força impessoal, como defendem os seguidores da Nova Era e de algumas seitas orientais, mas de um Ser Pessoal, que tem nas mãos as rédeas do destino de toda a Sua Criação. A mensagem subliminar que encontramos nesta passagem é: “Está tudo sob controle.” As coisas não acontecem por acaso, nem tampouco são frutos de contingências. Há um Deus que não apenas assiste à história da Criação, mas também a dirige, e, de certo modo, a protagoniza.
· O Significado de Sua Aparência
Embora João não se preocupe em nos dar a identidade d’Aquele que estava no Trono, podemos afirmar com convicção, que se trata do próprio Senhor Jesus, em Seu estado de glória. João se limita a descrever a aparência d’Aquele glorioso ser: “E o que estava assentado era, na aparência, semelhante a uma pedra de jaspe e de sardônio” (v.3a).
· O Sardônio
Para entendermos o significado destas pedras preciosas, precisamos recorrer ao Antigo Testamento. Em Êxodo 28:15-21 lemos que o peitoral usado pelo Sumo Sacerdote exibia doze pedras preciosas, arrumadas em quatro fileiras, que simbolizavam as doze tribos de Israel. A primeira delas era o sardônio, uma pedra de cor avermelhada, e que tinha gravado o nome de Rúben, o primogênito de Israel. A pedra vermelha como sangue aponta para a expiação realizada por Cristo na Cruz, em Sua primeira vinda. Por causa de Sua morte e ressurreição, Ele foi chamado de “o primogênito dentre os mortos” (Col.1:18; Ap.1:5). Cristo é o “primogênito” do Novo Israel, e da Nova Criação, assim como Rúben era o primogênito dos filhos de Jacó. Ser o primogênito Lhe confere uma posição de primazia sobre a herança de Deus. Referindo-se ao Filho, o escritor de Hebreus diz que Deus o “constituiu herdeiro de tudo, por quem fez o mundo (...) ao introduzir o primogênito no mundo, diz: E todos os anjos de Deus o adorem” (Hb.1:2b, 6b). Infelizmente, muitos entendem de maneira errada a herança que Deus legou a Cristo, e que por sua vez, foi estendida a nós. A maioria dos cristãos buscam espiritualizar esta herança. É verdade que as Escrituras falam de uma “herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, guardada nos céus” (1 Pe. 1:4), porém esta herança guardada nos céus é ninguém menos que Cristo. Mas as Escrituras também afirmam que Deus, o Pai, disse a Cristo: “Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e os fins da terra por tua possessão” (Sl.2:8). Uma vez que somos co-herdeiros com Ele, podemos inferir que o mundo também é nossa herança (Rm.8:17). Paulo diz que Abraão recebeu de Deus a promessa de que seria “herdeiro do mundo” (Rm.4:13); logo, “se sois de Cristo, então sois descendentes de Abraão, e herdeiros conforme a promessa” (Gl.3:29). Portanto, o sardônio, a pedra de Rúben, aponta para a primogenitura de Cristo, e Sua primazia sobre toda a Criação, tanto a material, quanto a espiritual. Cristo é, ao mesmo tempo, o Herdeiro e o Testador (Aquele que compõe o testamento que consta a herança). Basta lermos com atenção a passagem que se segue, para termos uma nova compreensão acerca da morte de Cristo:
"Onde há testamento, necessário é que intervenha a morte do testador, porque um testamento só é confirmado onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?”
Hebreus 9:16-17.
O sardônio também aponta para a morte de Cristo, através da qual o Testamento foi confirmado, e a herança foi legada àqueles que O reconhecem como Senhor e Herdeiro de tudo. Ele morreu como testador, e ressuscitou como o primogênito da Nova Criação.
· O Jaspe
Última pedra preciosa que compunha o peitoral do Sumo Sacerdote era o jaspe, que trazia o nome de Benjamim, a última das tribos de Israel. Fica claro aqui que a aparência d’Aquele que estava no trono representa o cumprimento do propósito de Deus para a Criação como um todo. Ele é o primeiro e o último, o Alfa e o Ômega, o autor e consumador de todas as coisas. Se o sardônio simboliza Sua primeira vinda, através da qual Ele fez a expiação dos nossos pecados, e confirmou o testamento, o jaspe simboliza Sua segunda vinda, quando Seu propósito restaurador será concluído. Ele começou a boa obra, e há de consumá-la até o dia final.
· A Esmeralda
Além disso, é dito que “ao redor do trono havia um arco-íris semelhante, na aparência, à esmeralda” (Ap.4:3). No peitoral do Sumo Sacerdote, a esmeralda era a pedra de Judá, a tribo de onde viria o Rei. É interessante frisar que o arco-íris contém sete cores, enquanto que, a esmeralda é de cor verde. Como conciliar uma coisa com a outra? Tanto o arco-íris, com suas sete cores distintas, quanto a verde esmeralda possuem um significado comum: esperança.
Aqui, o arco-íris aparece em uma forma completa. Não se trata de um arco, propriamente dito, mas de um círculo perfeito. Talvez, o lado inferior do círculo nada mais seja do que o reflexo do arco-íris no “mar de vidro, semelhante ao cristal” que havia diante do trono (v.6a). Se for assim, podemos dizer que o arco-íris (do lado superior do trono) é a Nova Aliança, cujo reflexo se vê na Antiga Aliança. Tal interpretação encontra apoio em passagens como aquela que claramente afirma que “a lei, tendo a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas” (Hb.10:1a). Referindo-se às ordenanças contidas no Velho Pacto, Paulo diz: “Tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir” (Col.2:17a). Devido à conexão entre o arco-íris ao redor do trono e a esmeralda, que representa Judá, a tribo de onde Jesus originou-Se segundo a carne, podemos inferir que a realidade por trás deste símbolo é o Reino de Deus, que vem aos homens como cumprimento de Sua promessa, contida tanto no Velho quanto no Novo Pacto. Na Antiga Aliança, o Reino se manifestou de forma figurativa através de Davi, e seus sucessores; mas na Nova Aliança, este Reino se manifesta em plenitude, através d’Aquele que é, ao mesmo tempo, o Filho de Deus, e o Filho de Davi.
O arco-íris também aponta para uma nova ordem, que por sua vez, emerge da ordem até então estabelecida. Uma vez que esta velha ordem é alvo do juízo divino, e recebe os golpes de Seu Cetro de Justiça, faz-se mister que uma nova ordem seja instaurada, assim como foi nos dias de Noé. Deus fez uma aliança com toda a Criação após o Dilúvio, garantindo que jamais voltaria a destruí-la novamente. Agora, Deus confirma tal aliança, e assegura que a Nova Criação começada em Cristo jamais poderá ser banida. É bem verdade que a atual criação geme, como se estivesse com dores de parto, porém, nutrindo a esperança de que a corrupção que a mantém cativa há de ser desfeita, assim que os filhos de Deus forem manifestados (Rm.8:19-22).
Até aqui encontramos três pedras preciosas: o sardônio, simbolizando a obra feita na Cruz em Sua primeira Vinda; o jaspe, simbolizando Sua Vinda em glória no último dia; e a esmeralda representando o Seu reino agora. Assim sendo, nestas três pedras encontramos Aquele que era, que é, e que há de vir. Como disse o escritor sagrado: “Jesus é o mesmo ontem, hoje e eternamente” (Hb.13:8). Ele é o princípio, o meio, e o fim. Como Rúben, Ele é o primogênito (Hb.1:6), a origem de tudo; como Judá, Ele é Aquele que reina, “mediante quem tudo existe” (Hb.2:10), “sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb.1:3). E como Benjamim, Ele é o último, “aquele, para quem são todas as coisas” (Hb.2:10). Resumindo: “Dele, por ele e para ele são todas as coisas” (Rm.11:36a). Todas as coisas são dEle, porque Ele é o primogênito (Criador). Todas existem por meio dEle, porque Ele é quem as governa e sustenta (Rei); e finalmente, todas as coisas são para Ele, porque Ele é o fim objetivo de tudo o que há (Herdeiro).



